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China: “atravessando o rio apalpando pedras” (voltar para FLB )

No campo político as reformas introduzidas na China formam patrocinadas pelo próprio Partido Comunista Chinês e não por imposições de organismos internacionais.

Deng Xiaoping, o obstinado e principal líder chinês contemporâneo é um dos arquitetos das reformas econômicas e políticas que soube, a tempo, reconhecer sobre a necessidade das mudanças. Ao assumir o governo em 1978, convocou a inteligência nacional e uma pluralidade de renomados intelectuais, cientistas, economistas, arquitetos, engenheiros e professores americanos, franceses e alemães para participarem do projeto nacional de modernização sustentando a tese de “atravessar o rio apalpando as pedras”, isto é, com cautela e vigor para que fossem as reformas bem sucedidas.

Assim como a China desabrocha e se moderniza para a economia de mercado desbrava, paralelamente, caminhos para a abertura democrática a partir do que os chineses chamam de “construção comunitária” através de mecanismos de participação, na perspectiva da autonomia das comunidades. O governo central vem investindo agressivamente em instalações de serviços e centros comunitários. Uma questão que instiga curiosos e estudiosos do processo de modernização chinês é sobre o preço da ambição chinesa e suas implicações sobre a população local prevalentemente rural.

Em que medida o povo chinês será incluído no processo produtivo e de modernização econômica, especialmente o enorme exército de reserva que surge do campo?

A reforma do modelo comunista que avança, a seu modo, para um novo mundo  com a visão capitalista de economia de mercado, apresenta-se como uma nova ordem mundial?

Apesar dos extraordinários avanços das inovações tecnológicas, políticas e econômicas, o país vive um momento de grandes contradições e contrastes. Como superar os desafios impostos pela continuada explosão demográfica apesar das restrições impostas pelo planejamento familiar que permite tão somente um filho por casal?

Como alimentar tão extraordinária população? Como e quando o processo de modernização e inovações tecnológicas visitarão os campos chineses, carentes de recursos financeiros e tecnológicos para suas pobres, inóspitas e áridas terras? Que destino terão os trabalhadores chineses mais idosos dispensados das fábricas estatais que vem sendo fechadas em larga escala?

No terreno movediço da corrupção a lei é ao mesmo tempo frouxa e forte: pune com morte funcionários públicos flagrados e fecha os olhos quando o controle foge de suas mãos. A bem da verdade, não são primazia do modelo chinês os processos de corrupção especialmente na esfera pública. O caso brasileiro é exemplar.

O abusivo uso de recursos energéticos na esteira da industrialização e da modernização – em cada esquina surge um novo cenário de fábricas – se por um lado estimula novas fontes de geração de trabalho, emprego e renda, por outro contribuem para o aquecimento do planeta e provoca impactante degradação ambiental.

Até onde o governo central será capaz de controlar e minimizar os perversos efeitos do desenfreado processo de modernização?

Soluções de resolutividade ainda estão distantes para equalizar problemas recentes. A força e o apetite que o dragão chinês demonstra para se potencializar que vem estarrecendo o mundo, faz crer que com o mesmo ímpeto buscará respostas através de ações afirmativas para a melhoria da qualidade de vida do povo chinês e da vida do planeta como um todo.

Dalva Maria De Luca Dias
Pedagoga e empresária
Presidente da Fundação Leonel Brizola/SC

 
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