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Xangai: onde o imaginário se surpreende (voltar para FLB )

Na conformação do Estado chinês, Xangai é um caso à parte. As águas do rio Huang-ho que margeiam a cidade espelham  imagens como um caleidoscópio emblemático das multifacetas das agressivas e velozes transformações e dão visibilidade às alterações de comportamento  e atitude que expressam sua modernização.

Xangai provoca uma explosão no imaginário e um eletrizante suspense ante o inesperado. Ressurge repaginada em cada esquina. Se mostra e se exibe luxuriosamente. Se redescobre e se desnuda.

O surto imobiliário que toma conta de Xangai expresso nos complexos conjuntos habitacionais sob as feéricas luzes de néon, suas torres e espigões são emblemáticos da energia e da velocidade da prosperidade chinesa e de um estilo de vida especial.

Os investimentos estrangeiros em Xangai superam 20 bilhões de dólares dirigidos notadamente às industrias de exportação gerando milhares de novos empregos e o aumento do padrão de vida de sua população composta, majoritariamente, de taiwaneses de classe média que ganham em torno de 12.000 dólares fixos por ano mais adicionais, proprietários de automóveis de luxo recém saídos das fabricas. São consumidores em potencial.

O que se observa é uma nova classe social emergente disposta a investir, absorver e usufruir os prazeres da vida, conforto e bem-estar.

A expansão urbana de Xangai ocorre sob o planejamento ordenado do Museu do Planejamento Urbano situado no Parque Renmim.

Não há no mundo nada semelhante: um arrojado edifício espelhado por fora que contempla por dentro a história passada e o futuro da cidade.

Abriga a maquete do planejamento urbano de cerca de 300m² e a fantástica estação em terceira dimensão que mais parece uma estação espacial de outra galáxia, num cenário de causar inveja a Hollywood, e, ainda, o Grande Teatro que recupera a história desde a chegada dos primeiros imigrantes e uma linha do tempo sobre a evolução do tráfego naval e o navegar do comércio.

A nova área de Gubei é inconfundível com seus canteiros de obras, seus guindastes e escavadeiras abrindo novas frentes de trabalho, novos centros comercias, lat-outs e galerias de arte. Enquanto o mundo se encolhe Xangai se expande por todos os lados.

Além do mandarim, em Xangai se fala outra língua, o xanganês, o dialeto da cidade – recorrente entre executivos, a gente endinheirada e agentes  governamentais.

A convivência dos habitantes da ilha de Taiwan com o poder central está longe de ser amistosa, porque os ilhéus querem a independência, porém  não contam com a solidariedade de seus irmãos patrícios que vivem em Xangai.

Na área de investimentos há uma fonte inesgotável de recursos híbridos seja em tecnologia de ponta, gestão de negócios e uma complexa rede de instituições estrangeiras, dentre bancos, corretoras e companhias de seguro.

Pundong é um grande centro urbano fervilhante de empresas estrangeiras, situado em terras antes alagadiças, improdutivas e sem valor comercial. É uma espécie de Zona Franca de Manaus em que o governo injeta recursos públicos em torno de 15 bilhões de dólares para projetos de infra – estrutura e uma política especial de isenção de impostos e incentivos fiscais.

O ponto mais alto e característico de Pundong é sua estilosa torre de televisão conhecida como Pérola do Oriente – a mais alta do continente asiático. Cada globo da torre se converte em espaço cultural e de lazer, boates, bares e restaurantes.

As pranchetas da arquitetura acolhem projetos cada vez mais ousados na perspectiva da construção não só do maior edifício do mundo, da maior roda-gigante, do maior metrô, do maior porto, dos maiores túnes e rodovias e do mais veloz trem bala do mundo, ainda em caráter experimental, movido a levitação magnética que atinge 442 quilômetros horários e que até 2008 deverá ligar Xangai a Beijing.

Se no passado demolições desordenadas puseram abaixo construções antigas, com o mesmo fervor o governo tomou medidas para protegê-las, ampliando espaços verdes públicos, jardins e parques cuidadosamente embelezados por um regurgitamento de flores de irresistível beleza e encanto.

Dalva Maria De Luca Dias
Pedagoga e empresária
Presidente da Fundação Leonel Brizola/SC
 
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