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O impacto da China na globalização (voltar para FLB )

Confesso que meus parâmetros sobre extensão territorial, população, crescimento e desenvolvimento econômico caíram por terra quando botei os pés na China. Como uma caixa de Pandora que se abre em mil segredos, a China é repositária de insondáveis mistérios e mil vidas seriam necessárias para melhor compreender as mutações e o processo chinês de modernização econômica.

Com uma superfície terrestre de 9,6 milhões de Km², a terceira maior do mundo (só perde pra Rússia e pro Canadá) e um contingente populacional de cerca de 1,5 bilhões de pessoas que se movem como formigueiros ocupa, hoje, o 4º lugar do mundo em crescimento do PIB, sem paralelos na recente história econômica contemporânea.

O que faz da China uma meganação é sua extensa capilaridade tanto no setor de negócios donde se irradiam novas e diversificadas tendências desenvolvimentistas quanto sua capacidade de se superar economicamente num ritmo surpreendente veloz.

Como pôde a China reconhecidamente rural dar este salto gigantesco de ruptura com o estado agrícola para o estado industrial? O que torna a China admirável é sua capacidade de superar desafios considerados intransponíveis e conviver com suas contradições e paradoxos.

O conjunto de produtos, manufaturados ou não, que compõem a cadeia produtiva que abastece o mundo inteiro, reconhecidos como produtos de massa, abarcam desde quinquilharias, botões, meias, acessórios, brinquedos, derivados de couro e toda sorte de peças para a indústria  da construção civil, aviação, náutica e automobilística, abrangendo submarinos, foguetes e satélites, biotecnologia eletrônicos e cabos de fibra ótica. Citröen , Harley Davidson, Coca-cola, Sadia, Honda, Nikon, Nokia, Bosch, Armani, Louis Vuitton:  são mais de trezentas empresas de grande porte que já se instalaram na China.

Qual o impacto do milagre econômico chinês sobre o mundo globalizado? E preciso olhar além de nossas fronteiras porque a potência do míssil chinês atinge países ricos e pobres  impactando sobre o consumo mundial, empregos, trabalho e renda, economias e mercados, cidadania e soberania. Tanto os EUA como ao países do Terceiro Mundo vem sucessivamente perdendo empregos industriais de forma assustadora em decorrência  da competividade imposta pela oferta inesgotável de mão-de-obra qualificada, barata  e disciplinada.

A questão que se coloca é até quando os países industrializados suportarão o choque do futuro num movimento de migração sem volta de fábricas e empregos?    Produtos e empregos de Chicago, Filadélfia, São Paulo, Rio Grande do Sul, México e tantos outros centros industriais vem sendo sistematicamente transferidos para a China e estatísticas recentes reforçam a tese de um cenário sombrio para os trabalhadores globais.

A antiga expressão “é um negócio da China” nunca foi tão verdadeira e contemporânea, porque o que se observa é que a China se apresenta ao mundo sob dois enfoques: tanto como cliente quanto como fornecedor.

Se a política de cotas – por acordos comerciais internacionais os países só podem importar / exportar por sistema de distribuição de produtos através de cotas – for eliminado ou substituído, o mundo ficará literalmente aos pés da Muralha da China que passará a ditar as regras de mercado com preços absolutamente inferiores de cerca de 44% àqueles praticados pelos demais mercados mundiais.

Enquanto W. Bush com seu fervor bélico consome energias para deflagrar guerras e ataques civilizatórios, o dragão chinês lança seus tentáculos sobre o mundo global numa espécie de tenda cósmica que encobre o mundo sob seu futuro domínio.

A China de hoje que renasce, como Fênix, das cinzas do atraso e simboliza a nova galinha dos ovos  de ouro dos investidores internacionais é tema recorrente nas universidades do mundo inteiro onde um número cada vez maior de estudantes aprende o mandarim.

Não há como negar a inevitabilidade do impacto da China no século XXI. Ignorar isso é sinal de burrice e sintoma de pura loucura.

Dalva Maria De Luca Dias
Pedagoga e empresária
Presidente da Fundação Leonel Brizola/SC

 
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