O contra-desafio ao setor produtivo (voltar para FLB)
Examinei cuidadosamente as entrevistas publicadas em encarte da imprensa local do dia 25/05 - Estratégias e desafios para o desenvolvimento - que expressa o pensamento da classe empresarial produtiva de Santa Catarina.
Estranhamente o otimismo demonstrado pela maioria dos empresários não encontra respaldo científico em dados recentes sobre o desenvolvimento brasileiro e do mundo.
Estranhamente o conjunto das idéias espelha o mundo isolado de Santa Catarina sem maiores análises sobre a expectativa da vida futura no mundo globalizado.
De um modo geral o pensamento está centrado no arcaico discurso da redução dos direitos sociais, previdenciários e trabalhistas, do consumo interno, do controle inflacionário, da redução dos gastos e dos recursos públicos, da necessidade de redução da carga tributária, do peso da burocracia estatal, o inchaço da máquina estatal e da guerra fiscal, num rasgado elogio ao modelo neo-liberal que defende o Estado mínimo.
Numa retórica que, apesar das alteridades que vem ocorrendo no contexto do mundo globalizado, não se modernizou.
Desculpem a ousadia mas a palavra de ordem é educação objetivada não somente em inovações tecnológicas mas, sobretudo, como resultado de um sistema educacional apropriado. Carlos Odebrecht (Karsten), Décio Silva (Weg) e Manoel Torres (Tractebel) foram os entrevistados mais lúcidos e modernos.
A lógica do desenvolvimento está intimamente atrelada à lógica do conhecimento por que é bem possível que os entraves futuros se dêem não mais, como preconizava Marx, entre o capital e o trabalho, mas, entre os que têm e os que não detêm o conhecimento.
Uma educação de tempo integral com escolas e ensino de boa qualidade como prega o PDT é a ferramenta mais poderosa e adequada para criar uma consciência nacional e capacitar pessoas para se tornarem sujeitos históricos e competitivos, capazes de provocar mudanças. Em suma, cidadãos competentes, com sólida base de informações e conhecimentos que se inscrevam, no futuro, na luta pelos interesses nacionais, por um projeto de nação que inclua a demanda dos pobres e excluídos do processo produtivo.
Investimento em educação é investimento com retorno. Um povo educado tem melhores condições de usar e exigir direitos, tem melhor saúde, melhores empregos e moradias.
Outra questão instigante é a omissão diante da voracidade do dragão chinês que vem solapando economias globais, fechando parques fabris e produzindo desemprego. México, Filadélfia, São Paulo e Rio Grande do Sul que o digam.
Estará o Brasil preparado para enfrentar a fúria e a influência econômica de prosperidade chinesa? Como vem se comportando as empresas catarinenses?
A inevitabilidade do domínio chinês sobre a economia global não pode ser ignorada sob pena de num futuro, não muito distante, ficarmos todos ajoelhados aos pés da Muralha da China pedindo pelo amor de Deus, uma outra chance.
Voltar o olhar pelo retrovisor da política americana é dar um salto no escuro ou, minimamente dar um passo atrás, porque no XXI o eixo, como um pêndulo, vem se deslocando visivelmente para o estreitamento de relações estratégicas sejam diplomáticas, comerciais ou econômicas entre China x Europa, como contraponto à hegemonia americana e o fervor bélico da era Bush.
A competitividade exigirá qualificação educacional e o Brasil tem um longo caminho a percorrer.
Dalva Maria De Luca Dias
Pedagoga e empresária
Presidente da Fundação Leonel Brizola/SC |