América Latina: um novo cenário com a eleição de Evo Morales? (voltar para FLB)
Evo Morales, plantador de coca na Bolívia foi eleito recentemente com folgada margem de votos. Nacionalista convicto, Morales se elegeu através das bandeiras nacionalistas do setor de gás, de petróleo e da discriminalização do cultivo de coca.
Morales surge das bases do movimento indígeno - cocaleiro, filho de indígenas pobres e se destaca politicamente com o apoio dos movimentos vanguardeiros dos sindicalistas, estudantes, associações de bairros e outros movimentos sociais que exigem, além disso, a reforma agrária e a industrialização dos recursos naturais, num país dividido por conflitos entre o altiplano e a planície, num cenário onde o mercado o informal representa 68 % da economia.
O impacto de sua eleição – cumpridas as promessas de campanha – na América Latina não pode ser minimizado.
O movimento do pêndulo da América Latina (com Chaves e Morales) e a perspectiva de eleições futuras de esquerda no México, contabilizadas as presidências de Tabaré Vázquez no Uruguai, de Kirchner na Argentina e Michelle Bachalet no Chile alcançarão a América Central, especialmente a Nicarágua e de sobra o Canal do Panamá?
Quais as implicações para o Brasil nas próximas eleições presidenciais? Continuará o governo Lula na esteira pragmática do neoliberalismo, obediente às regras da economia de mercado, fiel ao consenso de Washington e religiosos pagador das dívidas do Fundo Monetário Internacional ? Os ventos fortes que vem soprando em direção de esquerda alcançarão Lula e o seu governo?
O PT proporá uma nova agenda transformadora ? E como reagirão suas bases ? Por um projeto de reconstrução nacional?
Esta nova tendência reflete uma nova visão e um reposicionamento da América Latina marcadamente contrária aos interesses americanos e pode ser caracterizada como dissenso?
Esta é a reflexão necessária para o debate e, especificamente, para que os partidos políticos brasileiros demarquem sua linha doutrinária, dêem visibilidade a cada projeto específico da nação, porque o povo não suporta mais discursos demagógicos, populistas e messiânicos que, na prática, foram pro brejo.
Dalva Maria De Luca Dias
Presidente da Fundação Leonel Brizola/Alberto Pasqualine de Santa Catarina. |