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22/01/10 . Artigo - Meu irmão camarada, companheiro Brizola.

Há 88 anos nascia em 22 de janeiro , o penúltimo caudilho no povoado de Cruzinha, antes pertencente ao município de Passo Fundo, e hoje a Carazinho. Em agosto de 1945 filiou-se ao PTB para apoiar a política social de Getúlio Vargas.

Era um universitário atípico, uma vez que a maioria de seus colegas era comunista ou udenista. Provavelmente porque ele vinha de uma dura vida - infância pobre, trabalhando para estudar - que o identificava com a classe trabalhadora.

Atípico, também, porque, já alcançando êxito naquela idade, não aderia aos ideais das elites e até se orgulhava de sua origem popular.

No curso das lutas, Brizola cresceu e se afirmou como principal líder brasileiro das transformações. Como tal, convocou as forças progressistas a se unirem a ele, numa Frente Nacional de Libertação, para as lutas antiimperialistas de combate à espoliação estrangeira e ao latifúndio improdutivo.

Tal era então seu prestígio que, mantendo-se no governo do Rio Grande do Sul, se candidatou a Deputado Federal
pelo Rio de Janeiro, alcançando a maior votação registrada na história brasileira.

Brizola no Parlamento se tornou o líder das reformas e o principal coordenador do grupo de pressão sobre Jango na consagração das reformas de base. Articulou a
Frente de Mobilização Popular, integrada pela Frente Parlamentar Nacionalista, pela UNE e pela CGT, e apoiada pelas principais lideranças não entreguistas do País.

Exilado por 15 anos após o golpe de 1964, Brizola prosseguiu no esforço de organizar a luta armada contra a ditadura militar. Acreditava ele, como muitos mais, naqueles anos de entusiasmo pela figura de Che Guevara, que era possível
repetir a façanha cubana. Mas a ditadura se consolidou, tornando cada vez mais inviável aquela estratégia de lutas.

Em seu segundo exílio todos esperavam que ele fosse viver na Venezuela ou em Portugal. Surpreendentemente, Brizola, que era tido como o principal adversário político norte-americano na América do Sul procurou a embaixada dos Estados Unidos, solicitou e alcançou o apoio do Presidente Carter – enquanto defensor dos direitos humanos.

Promulgada a anistia, Brizola retornou ao Brasil em setembro de 1979. Dedicou-se à reorganização do PTB, sigla que acabou perdendo por manobras governistas.

Recuperando-se rapidamente desse novo golpe, Brizola criou o Partido Democrático Trabalhista – PDT, com base na Carta de Lisboa datada de 17 de junho de 1979 , a 30 anos atrás.
Em sua liderança retomou a militância política, cercado pelos velhos companheiros do trabalhismo e do nacionalismo de Vargas, do reformismo de Jango, que, sob sua condução, transcende para o socialismo democrático, integrado
já na Internacional Socialista, da qual Brizola foi eleito Vice-Presidente.

Segundo Kolecza “A Proibição Secreta: Desde 64 o trabalhismo está proibido de subir a rampa, uma das tantas decisões secretas dos operadores da máquina de distribuição de renda para cima, o sistema multissecular de privilégios e
injustiças causador de um dos mais perversos índices de exclusão social do mundo.

Contra o trabalhismo movem-se sempre os fantoches dos responsáveis pela desintegração social, a perda do sentido de vida coletiva. Sabem, até mais que nós, do que é capaz o trabalhismo para salvar outro tesouro em perigo, nossa
identidade de povo. Além de nós, alguém mais sabe contra quem foi o golpe? Contra mais ninguém”.

Concluindo nossas apreciações, devemos assinalar que nós, militantes do PDT, somos os herdeiros da ideologia e da experiência de ação governamental dos três estadistas mais lúcidos, destemidos e fecundos que o Brasil conheceu: Getúlio Vargas, João Goulart e Leonel Brizola. Como se vê, nós viemos de longe, trazendo nos braços gloriosas bandeiras de luta, grandes vitórias e terríveis frustrações.
A rosa do socialismo nacional “fechou-se” em 21 de junho de 2004, entretanto suas sementes fecundas continuam dando poderosas flores de liberdade desde barrancas do
rio Uruguai até águas do Oiapoque.


Por: Carlos Magno Kucera
Presidente do PDT de Urussanga
Foto: Brizola e Magno
 
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