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AMT – Ação das mulheres trabalhistas

Palestra conferida no 1º Encontro Sul Brasileiro de Mulheres do PDT Itajaí/SC em 18/12/2005

Entre o mundo real e o mundo aparente existe um fosso quase intransponível que separa homens e mulheres, ricos e pobres.

É no mundo real, que nós mulheres vivemos e é contra nós que se volta todo tipo de discriminação e preconceito: seja por que sejamos obesas, negras, idosas, ou louras e burras. O preconceito e a discriminação que em francês significa préjugé, no bom português é isto mesmo: um pré-juízo.

Um juízo de valor negativo, autoritário e indefensável que viola as normas da racionalidade, da afeição humana, da justiça e da decência.

A mulher, no seu cotidiano, vem sendo vítima desta violência: pela irresponsabilidade do Estado brasileiro, nas relações de trabalho e na sociedade como um todo.O Estado brasileiro – diga-se aí Governo Lula vem perdendo sua capacidade de gerar empregos.

As atuais políticas fiscais alavancadas pelo modelo neoliberal – de juros altos e superávit primário – restringem o acesso à riqueza nacional, desempregando trabalhadores e trabalhadoras e impondo entraves e dificuldades extremas às conquistas dos direitos das mulheres.

Assim, não sobram recursos financeiros para as necessidades básicas e os gastos sociais tais como a universalização da educação infantil,de 0 a 6 anos, escolas de tempo integral, delegacias e equipamentos especializados para atender as mulheres vítimas de violência, centros de assistência para mulheres idosas, abrigos, profissionais qualificatidos e leis que assegurem proteção e seguridade social da mulher, da criança e do adolescente, do idoso, dos que vivem, enfim, em condições de vulnerabilidade social extrema.

Isto significa dizer, companheiras, que todo o dinheiro que o governo arrecada com impostos é para pagar a dívida externa – juros que o Brasil paga pelo dinheiro emprestado aos bancos através do Fundo Monetário Internacional.
Para aumentar a renda familiar a mulher acaba se dedicando ao trabalho informal, de biscates, de vendas de bijuterias, de perfumarias, de fabriquetas de fundo de quintal, sem carteira de trabalho assinada, sem direitos previdenciários, sem inserção no mercado de trabalho, sem referências.

Como costuma dizer Caetano Veloso, sem lenço nem documento.

Esta nação companheiras, não serve para nós, por que não afiança o sistema produtivo adequado a um projeto de nação justa e solidária, um projeto de nação sustentável e de qualidade de vida presente e futura que é o que o PDT quer.

Reforçando o sistema financeiro, o valerioduto, o mensalão e os esquemas promíscuos de lavagem de dinheiro e corrupção, a política do governo Lula é contra os trabalhadores, a favor do desemprego e representa um fardo pesado para as mulheres de um modo geral, pelo uso de políticas compensatórias como a bolsa família e o fome zero que inviabilizam a superação e reforçam ainda mais as desigualdades.

Os negros, as mulheres, as crianças vitimas de violência, não são os fora-da-lei. São, exatamente aqueles que as leis não protegem, que não tem seguridade social e o empoderamento destes grupos tanto nas esferas do nosso partido, quanto nas esferas públicas, nos governos e na empresa privada devem se constituir um novo desafio para o PDT.

Por isso é preciso participar de encontros como este, familiarizar-se com o doutrinário trabalhista, para saber usar, defender e exigir direitos. A capacitação política, a educação e um eficiente trabalho de organização são as ferramentas através das quais as mulheres conquistarão espaços na perspectiva da promoção da condição humana da igualdade.

O movimento de mulheres é o nosso território mais legítimo para construção destes direitos porquanto se dá coletivamente na luta política e requer parcerias com outras formas associativas como os sindicatos, as associações, os conselhos e os partidos políticos.

Estes são o lócus não só de discussão, mas, de debates e explicitação da resignificação do papel da mulher e da reafirmação do seu potencial de transgressão para subverter as coisas que estão acomodadas, vencer o medo e o constrangimento.

Transgressão capaz de um novo processo de ruptura legítimo, moral e justo na perspectiva de projetos e ações afirmativas na configuração de um novo paradigma de promoção da igualdade.

É necessário, pois, usarmos da força de Ceres – a deusa da fertilidade – para plantar neste terreno inóspito, nossas idéias resistindo, lutando e participando cada vez mais e mais da vida social e partidária, porque esta é a nossa natureza.

Porque nossa alma é luminosa como as encostas dos montes refrangidos pelos raios das manhãs ensolaradas que abraçam as embarcações no lindo porto da cidade de Itajaí.

Presidente de honra em SC, Prof ª Dalva De Luca Dias

 
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