JORNAL: Tribuna Regional
DATA: 22 de Fevereiro de 2008
EDITORIA: http://www.adjorisc.com.br/jornais/tribunaregional/noticias/index.phtml?id_conteudo=127786
“Eu vou emancipar a mulher, nem que para isso tenha que viver 200 anos”
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22 de Fevereiro de 2008
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Valdomiro da Motta
valdomiro.motta@tribunaregional.com.br
As discussões acerca da participação da mulher na política tomaram conta dos discursos em um evento organizado pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT) de Brusque na quarta-feira, dia 20. O local foi a sede do Clube Guarani, no bairro de mesmo nome. Os destaques ficaram por conta das presenças da vice-presidente nacional de assuntos para mulher e presidente da Ação da Mulher Trabalhista (AMT), Miguelina Vechio, e da sindicalista e vice-presidente da Força Sindical, Eunice Cabral. A primeira, literalmente roubou a cena.
Demonstrando-se eximia oradora e que não tem papas na língua, a presidente da AMT nacional, Miguelina Vechio, arrancou aplausos do público feminino, maioria absoluta no local. Com discurso afiado, ela tratou diretamente de um assunto que, apesar dos novos tempos, ainda persiste na sociedade: a submissão da mulher perante o homem. “Temos, enquanto mulheres, que avaliar se essa é a sociedade que queremos viver. Antigamente, quando o homem estava na sala discutindo política, a mulher ficava na cozinha preparando a salada”, alfinetou de imediato, fazendo questão de demonstrar porque tinha comparecido ao encontro. Membro da executiva nacional do PDT e militante ativa na defesa do sexo feminino, Miguelina Vechio iniciou a carreira à frente da Ação da Mulher Trabalhista (AMT) em 1998. De secretária passou a ocupar o cargo de presidente.
“Se as mulheres fizerem política com olhar masculino, então que deixem para eles fazerem”
Miguelina criticou a baixa participação da mulher dentro da política-partidária, mas não como fruto da falta de empenho dela mesma e, sim, pelo fato de os homens limitarem o acesso feminino, principalmente aos postos de comando. Outro ponto observado por ela é que quando a mulher consegue romper essa barreira e ocupar posição de destaque, acaba por repetir o modelo de gestão feito pelo político homem. “Se as mulheres fizerem política com olhar masculino, então que deixem para eles fazerem. Temos que fazer com olhar feminino. Por isso é cada vez mais necessário que haja uma participação maior da mulher nas campanhas”, comentou, afirmando que a mulher precisa ser reconhecida quando chegar a ocupar os espaços dentro do cenário político.
Para atrair grande número de seguidoras à proposta do partido, Miguelina diz que será feito um trabalho em âmbito nacional voltado a esse fim. O principal será um treinamento oferecido às interessadas em disputar cargos nas câmaras municipais, durante as eleições deste ano. Antes de finalizar o discurso, a presidente da AMT deixou recado direto às mulheres que ainda permitem que os homens as coloquem em segundo plano quando no momento de decisões serem tomadas. “Não vim neste mundo a passeio. Eu vou emancipar a mulher, nem que para isso tenha que viver 200 anos”.
A vice-presidente da Força Sindical, Eunice Cabral, chegou com atraso ao encontro. Aguardada com expectativa pelos simpatizantes da legenda, ela fez um discurso em defesa da mulher como membro constituído dentro da família. Assim como a antecessora, tratou de abordar com veemência a necessidade de maior participação do sexo feminino nos diferentes setores que compõem a sociedade, principalmente a política. “Quando eu entrei para o movimento sindical, a mulher servia apenas para escrever as atas das reuniões. Felizmente isso vem mudando e hoje temos muitas delas à frente de sindicatos pelo país”, discursou, citando como exemplo a sindicalista brusquense e membro do Partido dos Trabalhadores (PT), Marli Leandro, sobre a qual elogiou o trabalho como dirigente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Vestuário de Brusque (Sintrivest). O evento contou ainda com a participação de vários membros do PDT local e do Estado.
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ORNAL: Portal Fator Brasil
DATA: 04 de maio de 2007
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MANCHETE: Personalidades negras apóiam campanha de viabilização da primeira formatura da Unipalmares
REPÓRTER: Redação
Personalidades negras apóiam campanha de viabilização da primeira formatura da Unipalmares
Nomes como Milton Gonçalves, Neusa Borges, Elisa Lucinda, Rocco Pitanga, Rosa Maria, Déo Garces, Sandra de Sá, Jorge de Sá, Da Gama, Dério Chagas e Cosme dos Santos estarão reunidos para celebrar a conquista de outros negros - os estudantes da Unipalmares, a Universidade da Cidadania Zumbi dos Palmares, única no Brasil e na América Latina voltada para inclusão dos afros-descendentes no meio acadêmico.
No evento, que acontece no Moinho Santo Antônio, os alunos, que fazem parte da primeira turma da Zumbi, assinam contrato para a realização da festa de formatura com a Dorana Forte Real, uma das três maiores empresas do setor.
Na ocasião, a Dorana e a comissão de formatura receberão além de artistas do movimento negro, autoridades, o reitor da Unipalmares, José Vicente, empresas e entidades parceiras da Universidade para apresentar o projeto de formatura.
Levando-se em conta a falta de recursos da maioria dos alunos, a Dorana está apostando em parcerias para custear a realização da formatura. A proposta é convidar as empresas a associarem suas marcas a um momento histórico, de demonstração de cidadania e permitir que muitos estudantes realizem o sonho da coroação de ter completado um curso universitário.
Evento de assinatura Dorana e Zumbiforma, dia 8 de maio,20h (terça-feira), no Moinho Santo Antônio, Rua Borges Figueiredo, 510 - Mooca -SP.
JORNAL: Correio Braziliense
DATA: 04 de maio de 2007
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MANCHETE: Em busca de provas
REPÓRTER: Jorge de Castro e Guilherme Goulart
Em busca de provas
PF faz operação com 50 agentes, 15 viaturas e até cães farejadores para recolher indícios de participação de moradores da Casa do Estudante em incêndio que atingiu dormitórios de africanos
Os moradores da Casa do Estudante Universitário (CEU), na Universidade de Brasília (UnB), tiveram um despertar assustador no início da manhã de ontem. Alunos de pelo menos nove apartamentos acordaram com batidas fortes na porta. Ao abri-las, se depararam com homens da Polícia Federal (PF), que cercaram o bloco B para cumprir mandados de busca e apreensão. Eles vasculharam quartos e objetos pessoais atrás de pistas capazes de ajudar na investigação do incêndio criminoso ocorrido no mesmo local em 28 de março - e que atingiu dormitórios de estudantes africanos.
A operação na CEU começou às 6h. E contou com um aparato especial. A PF usou 50 agentes, que chegaram ao lugar em 15 viaturas. Também participaram da ação três cães farejadores. A cada investida, os policiais entregavam aos alunos um documento com a justificativa da ação. O texto revelava que estavam no prédio para colher "provas materiais relativas ao ilícito a ser apurado nos autos do Processo de Busca e Apreensão nº 2007.34.00.011542-0". O juiz substituto da 10ª Vara Federal, Ricardo Augusto Soares Leite, assina a determinação.
Um dos alvos dos policiais era o estudante de engenharia florestal Wagner Guimarães, 28 anos. Ele aparece como um dos suspeitos de ter colocado fogo em quatro portas de alojamentos de alunos africanos. O jovem contou que cerca de 10 homens o acordaram com batidas insistentes na porta do apartamento onde mora. Os agentes entraram no quarto e recolheram vários objetos, entre eles uma balança de precisão. Segundo Guimarães, ela serve para a produção de sabonetes artesanais. Também coletaram amostras da mucosa bucal de Wagner, para análise de DNA - a idéia é comparar com eventuais vestígios encontrados pela perícia no local do incêndio.
Computadores e maconha
A operação durou cerca de quatro horas. Os policiais federais deixaram a CEU com documentos, computadores, roupas íntimas, pequenas porções de maconha e uma arma em forma de estrela, conhecida como shuriken. O delegado responsável pelo inquérito, Francisco Serra Azul, da Delegacia de Repressão a Crimes contra o Meio Ambiente e o Patrimônio Histórico (Delemaph), não falou com a imprensa. Ele seguiu determinação do juiz Ricardo Leite, que não autorizou a PF a se pronunciar sobre a investigação.
Os alunos que tiveram as casas vasculhadas acreditam que os policiais tinham a intenção de levar alguém preso. "Seja por drogas ou por explosivos, eles não vieram só para colher amostras de DNA. Prova disso foram os cachorros que eles trouxeram para farejar tudo", argumentou o estudante de química Roosevelt Reis, 28 anos.
O estudante Wagner Guimarães voltou ontem a se defender no caso do incêndio planejado na CEU. Acredita que o acusaram por causa de uma briga anterior entre brasileiros e africanos moradores do alojamento universitário. "Ano passado, houve uma discussão com um dos africanos que teve a casa incendiada. Sobrou até garrafada para um estudante brasileiro. É uma briga eterna", contou o ex-líder da associação de moradores.
As desavenças teriam origem nos critérios usados pela UnB na concessão de quartos. "Por que eu, brasileiro, tenho que provar que tenho baixa renda e os estrangeiros não passam pela avaliação socioeconômica? Não é justo", reclamou. De acordo com a assessoria de comunicação da universidade, 5% dos 400 alunos que moram na CEU são estrangeiros.
A assessoria da UnB informou que a instituição não sabia da operação realizada pela PF, mas entende que faz parte da investigação. A universidade também apura o caso, por meio de uma sindicância interna. O grupo pediu na semana passada mais 30 dias para concluir a análise do caso. Caso identificados, os culpados poderão ser expulsos da UnB.
Entenda o caso
Ataque planejado
Na madrugada de 28 de março, quatro portas de alojamentos da Casa do Estudante Universitário (CEU) foram destruídas por um incêndio. O ataque ocorreu por volta das 4h em dois andares do bloco B e surpreendeu 14 estudantes de origem africana que dormiam no local. Ninguém ficou ferido, mas o fogo virou caso de polícia. Depois de ouvir nove suspeitos de envolvimento no incidente, a Polícia Federal concluiu que houve crime. Os depoimentos de seguranças e moradores da CEU reforçaram a idéia de incêndio planejado. Quem colocou fogo nas portas usou toalhas molhadas de gasolina. E ainda retirou os extintores de incêndio dos dois andares em que houve o atentado. Além da PF, o Ministério Público Federal e a própria Universidade de Brasília (UnB) investigam o crime. A universidade acredita que houve racismo. Mas também existem as hipóteses de xenofobia (ódio aos estrangeiros) e vandalismo. O episódio, no entanto, deixou em evidência as dificuldades de relacionamento entre os moradores da CEU. Os alunos brasileiros acusam os de origem africana de privilégios. As desavenças ocorrem desde o ano passado. Frases como "Morte aos estrangeiros" chegaram a ser rabiscadas no local.
Deputados pressionam
A investigação sobre o incêndio criminoso na Casa do Estudante Universitário (CEU), da Universidade de Brasília (UnB), também é acompanhado pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Reunião entre representantes do governo federal, UnB e Polícia Federal (PF) detalhou ontem as apurações feitas sobre o caso. O encontro ocorreu na própria Câmara Federal à tarde.
Durante as discussões, a superintendente da PF, Valquíria Souza Teixeira, afirmou que o prazo do inquérito policial foi prorrogado em 30 dias para que amostras de DNA de alguns suspeitos pudessem ser coletadas - o material foi recolhido por agentes federais na manhã de ontem nos apartamentos dos estudantes.
Já a coordenadora da Subcomissão sobre Afrodescendentes, deputada Janete Pietá (PT/SP), afirmou temer uma possível descaracterização do crime. Ela entende que houve racismo na destruição de parte dos alojamentos na CEU no incêndio. Manifestou ainda urgência para que os prazos de investigação sejam cumpridos. O mesmo pediu o secretário da Comissão de Direitos Humanos, Márcio Araújo. "Queremos que o inquérito seja concluído sem maiores delongas. Diversas entidades mostraram preocupação para solução do caso", afirmou.
O reitor da UnB, Timothy Mulholland, fez questão de participar da reunião, mas não apresentou novidades. Pediu paciência. Informou que a comissão de sindicância que conduz a apuração interna ainda não acabou os trabalhos.
"Estamos ouvindo as pessoas envolvidas no fato. Mas ninguém ainda foi indiciado", contou Timothy. Segundo ele, a comissão pediu extensão do prazo de conclusão por mais 30 dias. A prorrogação foi concedida para que os procedimentos não sofram qualquer tipo de questionamento.
JORNAL: Jornal da Mídia
DATA: 04 de maio de 2007
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MANCHETE: Uefs inscreve até dia 13 para o vestibular 2007.2
REPÓRTER: Redação
Uefs inscreve até dia 13 para o vestibular 2007.2
Salvador - A Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) inscreve até 13 de maio para o processo seletivo 2007.2. As inscrições serão realizadas exclusivamente pela internet, através do site www.uefs.br, seção Processo Seletivo. O candidato deverá preencher o requerimento de inscrição, imprimir o comprovante e o boleto bancário e efetuar o pagamento da taxa de R$ 70 em qualquer agência do Bradesco. A inscrição somente estará efetivada após a confirmação do pagamento.
Para quem teve atendido o pedido de isenção total da taxa, o período de inscrição no vestibular é de 7 a 11 de maio. A relação dos beneficiados pode ser consultada no site da Uefs. Para as pessoas que tiveram concedida a isenção parcial, a inscrição deve ser feita até sexta-feira (4). Foram concedidas 1.600 isenções integrais.
Neste vestibular, a Uefs oferece 685 vagas em 19 cursos. Será o segundo vestibular com adoção do sistema de cotas, com reserva de 50% das vagas para quem cursou o ensino médio e pelo menos dois anos do ensino fundamental (5ª a 8ª série) em escola pública. Dessas, 80% serão ocupadas por candidatos que se declararem negros.
JORNAL: Bonde News
DATA: 04 de maio de 2007
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MANCHETE: Matéria sobre cotas na UEM será votada na próxima quarta
REPÓRTER: Redação
Matéria sobre cotas na UEM será votada na próxima quarta
O Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da Universidade Estadual de Maringá vota, na próxima quarta-feira (09), a questão das cotas sociais. No total 80 membros integram esse Conselho, dos quais 15 são alunos da UEM e dois são representantes da comunidade externa. Os demais são docentes da instituição. Além disso, o reitor, Décio Sperandio, e o vice-reitor, Mário Azevedo, são respectivamente o presidente e o vice-presidente.
A reunião terá início às 14 horas e a matéria entre em votação tendo um parecer favorável da câmara de graduação, encarregada de fazer uma análise e emitir um parecer sobre o tema. Sperandio e Azevedo também já se declararam favoráveis às cotas, tanto raciais como sociais, tendo inclusive expressado esse pensamento em entrevistas concedidas à imprensa local ao longo dessa semana.
Nesta quarta-feira (02), o vice-reitor recebeu representantes de entidades ligadas ao movimento da consciência negra, que lhe entregaram um manifesto pedindo agilidade na implantação de reserva de vagas para afro-brasileiros no vestibular. "As cotas não deveriam estar nem em discussão, deveriam ser um direito dentro das universidades públicas", declarou Aracy Adorno Reis, presidente do Instituto de Mulheres Negras Enendina Alves Marques.
O vice-reitor afirmou que a reivindicação das cotas é justa mas, que a luta pela inclusão vai além. "É preciso ampliar no número de vagas nas universidades públicas", disse. Segundo Azevedo, são 4 milhões de vagas no ensino superior, das quais apenas 1 milhão são ofertadas nas instituições públicas.
A votação na quarta-feira decidirá se a UEM é a favor ou contrária ao ingresso de acadêmicos pelo sistema de cotas. Se a maioria votar favorável à matéria ainda será necessário formar uma comissão para estudar o mecanismo de aplicação do sistema. O passo seguinte é encaminhar o assunto para o Conselho Universitário a quem caberá oficializar a decisão através de alterações no regimento interno da instituição.
Sobre a possibilidade da votação de quarta-feira ser contrária a implantação de cotas, o vice-reitor é categórico. "Eu me sentiria muito mal em ter que assinar uma decisão contra as cotas".
Confira o que é notícia nos jornais de hoje
JORNAL: Uol Esporte
DATA: 03 de maio de 2007
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MANCHETE: Pesquisa aponta que NBA tem preconceito no apito
REPÓRTER: Adalberto Leister Filho
Pesquisa aponta que NBA tem preconceito no apito
A propalada democracia racial da NBA foi posta em xeque por estudo da Universidade da Pensilvânia. Justin Wolfers, professor de políticas públicas, e Joseph Price, estudante de economia, mostraram que arbitragem de brancos pode influenciar o resultado de partidas disputadas por jogadores predominantemente negros.
Juízes brancos tendem a dar mais faltas contra negros do que contra caucasianos. Por outro lado, a arbitragem de negros costuma marcar mais infrações contra jogadores brancos, embora essa segunda tendência seja menos acentuada.
A diferença na marcação das faltas é, de acordo com os pesquisadores, "grande o suficiente para que a probabilidade de um time vencer seja afetada pela composição racial dos árbitros que irão dirigir a partida".
Segundo os números levantados, os negros fazem entre 0,12 e 0,20 mais faltas quando os três juízes são brancos -isso representa um aumento entre 2,5% e 4,5% nas marcações.
O resultado do trabalho, que examinou as temporadas entre 1991 e 2004, foi publicado no "New York Times". Nesses campeonatos, foram computados cerca de 600 mil marcações de falta da arbitragem.
O estudo demonstrou também que outros fundamentos estatísticos, como pontuação ou marcação de violações, estão diretamente relacionados à cor da pele de jogadores e árbitros.
"A performance do atleta parece cair em todas as estatísticas quando há uma larga oposição racial com a arbitragem", reportam Wolfers e Price.
Especialistas dos EUA em questões raciais que examinaram o estudo acreditam que o preconceito subliminar possa ter contaminado a principal liga de basquete do planeta.
David Berri, professor da Universidade Estadual da Califórnia, diz que a NBA espelha o que já acontece fora da quadra.
"Dado que a liga tem preponderância de afro-americanos, talvez fosse bom que houvesse mais árbitros afro-americanos. Pelo mesmo motivo, não é aconselhável que seja escalada força policial branca para a vigilância em bairros negros."
Ian Ayres, professor de direito da Universidade de Yale, diz que as conclusões da pesquisa não causam estranheza.
"Estaria surpreso se não existisse preconceito. Há um consenso crescente de que uma proporção grande de decisões não acontece por discriminação racial consciente. É freqüentemente dirigida de forma inconsciente", explica ele.
"Quando você força as pessoas a tomarem decisões, elas não podem evitar, mesmo que de forma subconsciente, tratar negros diferente de brancos, homens diferente de mulheres", complementa o professor.
Envolvidos no campeonato preferiram ficar distantes da polêmica. Os treinadores Doc Rivers, do Boston, e Maurice Cheeks, do Philadelphia, ambos afro-americanos, não quiseram comentar o assunto.
Já Mark Cuban, dono do Dallas e mais controverso dirigente da NBA, disse que todos têm preconceitos. "Somos humanos", ponderou o dirigente.
Porém Cuban preferiu não se pronunciar sobre possível preconceito racial na quadra.
David Stern, homem-forte da NBA, apressou-se em contrariar as conclusões do estudo. Segundo ele, a liga levantou números que provam o contrário.
"Acreditamos que nossos dados são mais convincentes e completos. E eles mostram que não há preconceito", defende.
Joel Litvin, presidente de operações da NBA, foi além. "Essa pesquisa está errada. Pelas estatísticas, eles só podem computar as decisões coletivas dos três árbitros que atuaram na partida. Somos capazes de analisá-las individualmente."
Os dados foram coletados nos campeonatos disputados entre 2004 e 2007 e incluiriam cerca de 148 mil marcações dos árbitros. Litvin, porém, eximiu-se de apresentar os números individuais, pois isso afetaria o acordo de confidencialidade que há entre os árbitros.
JORNAL: Portal Exame
DATA: 03 de maio de 2007
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MANCHETE: O consultor do Hip Hop
REPÓRTER: Tatiana Gianini
O consultor do Hip Hop
Um especialista em rap está ensinando empresas como GM, HP e Samsung a vender para os jovens
imagem da General Motors passa por uma cirurgia plástica nos Estados Unidos para se tornar mais atraente aos consumidores jovens, que consideram "caretas" demais os modelos da marca. Essa blitzkrieg de marketing começou em janeiro, com o lançamento de uma opção especial do GMC Yukon num tom de cor azul berrante, tendo como garoto-propaganda o rapper Jay-Z. Mais recentemente, outro destaque da música negra moderna, a cantora de hip hop Mary J. Blige, foi convocado para estrelar uma campanha institucional da Chevrolet, levada ao ar no Super Bowl, a final da liga americana de futebol. Agora, a montadora está envolvida no trabalho de relançamento do Camaro, ícone automobilístico dos anos 70 que deve voltar ao mercado em 2009, com um design mais moderno. Todas essas iniciativas têm em comum o fato de trazer as digitais do consultor Steve Stoute, ex-produtor de artistas de hip hop que virou o guru de uma série de grandes empresas interessadas em se comunicar e lançar produtos para um público mais novo. Além da GM, fazem parte da lista de clientes de Stoute companhias do porte de McDonald`s, Reebok e HP. "Ajudo as marcas a se conectar aos adolescentes utilizando a cultura pop", afirmou Stoute a EXAME.
Seu trabalho começou a ganhar visibilidade em 2003, quando ele sugeriu à rede de lanchonetes McDonald`s o nome do cantor Justin Timberlake para interpretar um novo jingle da empresa, batizado de I`m Lovin`It (no Brasil, ele foi veiculado na versão Amo Muito Tudo Isso). A campanha fez um tremendo barulho na época, e o consultor virou uma referência em comunicação com o público jovem. Em 2004, Stoute emplacou um novo sucesso trabalhando para a etiqueta de moda Tommy Hilfiger. O desafio era revitalizar a linha de perfumes da marca. Por sugestão de Stoute, a grife contratou a cantora Beyoncé Knowles como garota-propaganda de uma nova fragrância, a True Star. O estardalhaço feito na campanha contribuiu para fazer do produto o mais bem-sucedido da empresa nessa linha nos últimos dez anos. Estratégia semelhante foi usada por ele num trabalho realizado com a HP, em 2005. A gigante da informática não tinha o mesmo apelo entre os jovens do que marcas como Apple e Sony. Stoute então chamou a diva pop Gwen Stefani para assinar uma câmera digital da empresa. Batizado de The Harajuku Lovers (nome inspirado num bairro moderninho de Tóquio), o equipamento foi desenhado com a ajuda da própria Stefani e teve uma edição limitada de apenas 3 000 peças. Em pouco tempo, o produto se esgotou.
JORNAL: ABN
DATA: 03 de maio de 2007
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MANCHETE: Funemac promove curso de pós graduação sobre cultura africana
REPÓRTER: Redação
Funemac promove curso de pós-graduação sobre cultura africana
MACAÉ - Até esta sexta-feira (4), estão abertas as inscrições para o curso de pós-graduação em Estudos Culturais e Históricos da Diáspora e Civilização Africana. Os interessados devem ir à Fundação Educacional de Macaé (Funemac), na Rua Teixeira de Gouveia, 634, Centro. O telefone da para maiores informações é 2772-5036, ramal 211.
No sábado (5), haverá Conferência de Abertura, ministrada pelo professor Kabenguele Munanga da Universidade de São Paulo. Ele falará sobre Antropologia e História da Diáspora Africana, no salão de Convenções do Hotel Crystal, às 9h, na Rua Teixeira de Gouveia 1369.
Segundo o coordenador geral da pós, antropólogo e professor Julio César de Souza Tavares, da Universidade Federal Fluminense, o objetivo do curso é fornecer informações e instrumentos teóricos e conceituais sobre a Diáspora Africana - a dispersão pelo mundo desse povo, por motivos políticos ou religiosos.
- Além disso, queremos analisar o processo civilizatório africano para habilitar o profissional de ensino Fundamental e Médio, na percepção e discussão crítica das questões relacionadas à identidade, diversidade, relações raciais e multiculturalismo na sociedade brasileira - explicou Tavares.
Júlio César de Tavares disse ainda que são cinco mil anos de civilização, mas ainda falta maturidade ao ser humano para reconhecer a importância do outro. Somos egocentrados com a cultura civilizatória - destaca Tavares, acrescentando que o curso tem um papel importante que é abrir os olhos do brasileiro para a força de uma civilização na edificação da sua própria cultura, onde a maioria é de origem africana.
- O Brasil tem a maior população africana do mundo fora da África. São 90 milhões de habitantes - lembra o coordenador. Para ele, só esse fato já é o suficiente para fazer renascer nos brasileiros um sentimento de auto-estima e de busca de um passado histórico que foi fundamental para a Europa. "Não podemos virar as costas para um conhecimento como esse", ressalta.
Tavares conta que o conhecimento africano foi fundamental para a montagem da economia brasileira na pecuária (onde os negros tinham tecnologia superior a dos europeus), na mineração e na metalurgia. O antropólogo espera, através do curso, incutir nos professores e alunos, uma nova mentalidade sobre a força e a potência da civilização africana.
- Nós crescemos envolvidos por estereótipos, preconceitos e acabamos reproduzindo esses estigmas - diz, relatando que os negros foram escravizados não só porque tinham músculos fortes, como apontam alguns livros didáticos. Mas porque detinham uma tecnologia que podia acelerar a colonização de algumas áreas, mantidas por portugueses e espanhóis. É preciso que os professores reconheçam e valorizem a cultura africana que colonizou significativa parte do mundo - explica.
As Bases Africanas
No ano passado, dezenas de alunos assistiram na Funemac aula inaugural da pós sobre o valor da África, por meio da palestra do professor Henrique Cunha Júnior, mestre titular da Universidade Federal do Ceará. Ele disse que para entender profundamente o Brasil como cultura, povo e materialidade é preciso compreender as bases africanas.
Como exemplo o professor citou os ciclos econômicos brasileiros que tiveram origem na África. "O café é uma planta etíope, a cana-de-açúcar é asiática, mas estava adaptada no continente africano, quando foi trazida para ser cultivada no Brasil, e a mineração ocorreu com mão-de-obra de regiões produtoras de ouro da África, que desenvolveu técnicas que ajudaram significativamente os portugueses", explicou.
- Olhamos para a África como um continente de ignorantes, mas a realidade é diferente. No continente africano surgiram diversos alfabetos. Alguns com mais de quatro mil anos - contou. Ele ainda acrescentou as demonstrações de afro-etno matemática, ligada à teoria de sistema dinâmico, que atualmente é conhecida por matemáticos europeus como teoria do Caos e as teorias defractais.
Segundo o presidente da Funemac, professor Jorge Aziz, é preciso que haja reconhecimento das identidades chamadas minorias como os estrangeiros, os negros e os homossexuais. Todos têm valores para construir a identidade coletiva. "O desenvolvimento de Macaé é constituído de movimentos migratórios nacionais e internacionais que geram uma diversidade cultural muito grande, com conflitos e riquezas", avaliou, lembrando que a identidade coletiva é o amálgama das culturas adensadas no processo de desenvolvimento.
Já o professor de História, Luiz Elias Sanches, disse que não se pode negar a influência negra no Brasil e que por pressões da sociedade e de movimentos de negros entrou em vigor na Legislação Educacional a Lei nº 10.639/03, tornando obrigatório o ensino de História da África e Cultura Afro-brasileira no currículo escolar. "O objetivo deste curso é por a Lei em prática, dando base a professores de Literatura, de História e de Educação Artística", ressaltou.
Sanches lembrou que no livro didático o negro é escravo tendo como aspectos positivos o samba e a capoeira, faltando valorizar os conhecimentos técnicos científicos utilizados por eles na época da mineração e na farmacologia e medicina tropical, uma vez que os portugueses não sabiam como lidar com as doenças tropicais.
JORNAL: Primeira Edição
DATA: 03 de maio de 2007
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MANCHETE: Mais três comunidades quilombolas são reconhecidas
REPÓRTER: Redação
Mais três comunidades quilombolas são reconhecidas
Mais três comunidades remanescentes de quilombo foram reconhecidas em Alagoas. A solenidade de entrega do certificado de reconhecimento, expedido pelo Ministério da Cultura, por meio da Fundação Cultural Palmares, foi realizada nesta quarta-feira, no Palácio República dos Palmares, com a participação do secretário do Gabinete Civil, Álvaro Machado, que representou o governador Teotonio Vilela; a secretária da Mulher, Direito e Cidadania, Wedna Miranda, e a representante da Fundação Palmares, Bernadete Lopes.
Dessa vez foram beneficiadas as comunidades de Carrasco e Pau d`Arco, em Arapiraca, e Guaxinim, de Cacimbinhas. A partir de agora, elas poderão ter acesso a vários projetos sociais desenvolvidos pelo governo federal, nas áreas de educação, agricultura familiar e Programa Saúde da Família. "Essa certidão tem a mesma importância do registro de nascimento. As comunidades passam a existir e a solicitar a viabilização de políticas públicas", ressaltou a secretária Wedna Miranda.
Alagoas possui 40 comunidades remanescentes de quilombos. Desse total, apenas 18 já foram reconhecidas. Durante a solenidade, mais três solicitaram o reconhecimento e entregaram um documento solicitando o benefício à integrante da Fundação Palmares, Bernadete Lopes. São elas: Pixaim (Piaçabuçu), Jussara (Santana do Mundaú) e Sapé (Igreja Nova). A meta do governo do Estado, conforme revelou a secretária Wedna Miranda, é atender as demais comunidades.
Em nome de todas as comunidades beneficiadas, José Sandro Santos destacou a importância da certidão e solicitou um encontro das lideranças quilombolas com o governador Teotonio Vilela para apresentar algumas reivindicações. "Esse é um momento importante para todos que vêm lutando no decorrer dos anos para garantir o direito assegurado pela legislação e mais qualidade de vida para esses povos", frisou Sandro.
Bernadete Lopes fez um rápido discurso mostrando os benefícios que a certidão trará para as comunidades. E assegurou que a Fundação Palmares continuará trabalhando em parceria com o governo do Estado no sentido de garantir melhorias como o acesso à saúde, educação, cultura, entre outras.
"É o resgate de uma dívida social que o país tem com os quilombolas; e o governo tem compromisso em participar dessa transformação", disse o secretário Álvaro Machado, acrescentando que Alagoas tem o herói negro Zumbi dos Palmares e não pode ficar fora desse processo. Para ele, a dívida social não se resgata com dinheiro, mas com capital social.
Aos 87 anos, a mais antiga moradora da comunidade Carrasco, Maria dos Prazeres, mostrou-se satisfeita com o ato, lembrando que era um sonho antigo e que irá beneficiar a todos. Durante o encontro houve apresentação cultural da banda de pífano de Arapiraca e de dança afro.
JORNAL: Pantanal news
DATA: 03 de maio de 2007
EDITORIA: Site
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MANCHETE: Império e escravos
REPÓRTER: José Vilhena
Impérios e escravos `Sempre fomos livres nas profundezas de nosso coração, totalmente livres, homens e mulheres. Fomos escravos no mundo externo, mas homens e mulheres livres em nossa alma e espírito`, Maharal de Praga (1525-1609), resumo do livro `A alma imoral`, do rabino Nilton Bonder.
O professor José Luis Fiori está a investigar o porquê da criação de impérios para controlar as guerras entre Estados nacionais e ser o promotor da civilização. Gosto muito de quem raciocina no maior valor agregado porque é o pensamento do Todo tentando entender a seqüência dos fatos, a Parte. O `X`da questão no Terceiro Milênio é a falência da expressão `democracia` como representação da sociedade, gerando a elevação do número de oprimidos e transformando o sistema em baixa formação de capital interno. Dentro do mesmo tema, mas sobre outra ótica, está o questionamento de Frei Betto, baseado no senso comum, sobre o porquê os oprimidos preferem idolatrar a elite, mesmo sendo explorados. A terceira vertente é a constatação histórica da palavra `ideologia` como cegueira, tendo como questionamento Napoleão e como lastro o sangue derramado como defesa do Estado de Direito. O quadrilátero se forma com o permanente retorno do homem à padronização do sistema, com suas novas denominações semânticas, para o reestabelecimento do `pensamento único`, a tentativa do uno e indivisível. A quinta ponta da estrela é a intrísica relação humana de identificação com a matéria, para ser incluído no contexto, e da resistência à energia como contraposição, atendendo à necessidade de desidentificação da alma ao objeto para a formação do juízo de direito.
A dialética entre impérios, que rompem o espaço, e escravos, que mantêm a doutrina, é um dos estímulos aos filósofos como tentativa de síntese para explicar a humanidade porque, assim como os seres humanos, os impérios e os escravos nascem, crescem, envelhecem e morrem, mas renascem em nova tese e em outros atores. Um processo determinista, apesar do homem querer ser o dono do seu destino e impedir toda a forma de limitação. E a grande incógnita é a mecânica do ser humano e sua reincidência ao descontrole por estar sujeito à mesma divisão do espaço, a massa. Enquanto o `cannibal juvenil` fere o império com sua invasão bárbara, evocando Jesus Cristo, a `voz dos oprimidos`, no país dos escravos os dólares não estão mais na cueca, mas no ralo. De onde vem o cheiro?
Vôo cego
Com o fim da União Soviética, a comunidade internacional pensou que acabaria o temor da guerra nuclear ao admitir um só Estado nacional forte, o desejo da unidade, que manteria sob controle as guerras entre os homens e promoveria a civilização. Nascia a `Pax americana`, inclusive com a concordância da Rússia, como o `melhor caminho para a paz no mundo`. O império era respeitado como indutor da nova economia, de nova tecnologias e de proposta de nova cililização. Abria os espaços para os seus súditos porque lhes dava auto-confiança em seu vôo ao vencer todas as adversidades da natureza: as crises sistêmicas. Tinha quase o poder da divindade. Em 2003, tudo mudou. A mulher de César já não parecia mais honesta. Era comprovadamente desonesta e reincidente. Assim como havia tramado a Guerra do Vietnã, como comprovou à história Daniel Ellsberg na década de 70, novamente tramou a Guerra do Iraque. A imagem do caminhão comum, repetido várias vezes nos noticiários de nossa TV como abrigo para armas de destruição em massa, não continha ameaça à comunidade internacional. O império, responsável pela edificação da sociedade, era comprovadamente interesseiro, não visando o bem-comum, a segurança global. Todos os que foram postos no `eixo` sabiam que poderiam ser a próxima vítima. Na seqüência, deixou claro a todos, pela primeira vez, a sua `preferência` por atores na disputa do conflito de interesses no mundo, até mesmo com criação artificial de fatos políticos para defender o seu ponto de vista. A corrida nuclear é apenas o ponto de partida. Por trás da discussão: uma `bolha` e uma moeda sem lastro. A teoria determinísta da morte dos impérios, mesmo que tenham cunhado em sua moeda palavras e símbolos esotéricos. A tentativa de `proteção` no `Sagrado` como `segurança` para a manutenção da potência. Como disse o filósofo Agostinho de Hipona: `Roma foi erguida pela sua virtude e caiu por sua corrupção`.
Os impérios são importantes quando têm unidade interna, seguram as barbáries no intuito de manter a defesa do Estado de Direito no mundo e não temem o desconhecido, transformando a adversidade da natureza em tecnologia. Rompem o espaço e estão à frente de seu tempo. Em detrimento, os escravos alogam o espaço com suas doutrinas, formando massas, e preservam a tradição, o prolongamento do tempo. Os escravos são os que têm maior dificuldade em formar a unidade nacional, não protegem o Estado de Direito, temem a existência, necessitando de `comandantes`, e não praticam a tecnologia para superar as adversidades de sua própria natureza porque não pensam pela própria cabeça, os levando à idolatria dos impérios como identificação humana ao modelo mais próximo da perfeição. Eles, os impérios, têm a `certeza` e os escravos, as `dúvidas`. Assim como na natureza, as águias voam longe, em busca da plenitude, enquanto as galinhas ciscam, lamentando a miséria. Mas, assim como na vida humana, os impérios e os escravos também envelhecem porque já não respondem aos desafios da nova geração e, metafisicamente, deixam as suas estruturas carcomidas pela própria corrupção de sua sociedade, já envelhecida. É a chamada queda dos impérios ou o `efeito Babilônia`. Com a doença do poderoso, começa a disputa pelo espólio. China e Japão tentam esquecer o passado como sobrevivência econômica e a Rússia volta ao cenário internacional disposta a proteger os `fracos e oprimidos`. Assim como a mulher de César tem que parecer honesta, a de Pedro, o Grande, tem que parecer `pura`. O fim da `Pax americana`.
Vôo insípido
O dilema dos escravos é tão velho quanto o antigo Testamento, tendo como ator principal os judeus e o questionamento sobre a razão do povo de Deus, o que busca a unidade, ser escravo, enquanto a representação da luz, o da divindade, fica restrita aos impérios, que exibem a sua potência e transgridem a Lei. E encontram seus súditos para servi-los. Vamos encontrar no livro de Daniel, mais do que profeta, uma tradução filosófica, a expressão da dualidade da potência imperialista versus a opressão do homem em três vertentes básicas: a opressão política, a exploração econômica e a vigilância ideológica. O contexto histórico de Daniel é a queda de Jerusalém sob o poder do rei babilônico Nabucodonosor em 586 a.C, quando o reino de Judá deixa de existir. Depois os judeus passariam pelo império persa, o império grego até o Império Romano. A importância de Daniel é o projeto revolucionário de uma nova ordem que desse ao povo judeu, oprimido, uma alternativa político-econômica porque o dominador era sinônimo de extermínio de sua cultura, a construção ideológica. A profissão de fé apocalíptica, de um julgamento de Deus e do estabelecimento de uma nova ordem, está diretamente interligada à relação dialética integrados x apocalípticos desde o princípio dos tempos. Daniel é o representante dos apocalípticos durante a opressão ao povo judeu no Império Babilônico. Veremos, então, que, além da força das armas, o império tem o sinônimo de aniquilar a cultura de um povo, que se reflete no econômico para impedir o objeto da libertação, a ideologia. Ao mesmo tempo, o que seria do mundo sem a matemática do Império Babilônico, a filosofia do Império Grego, e o direito romano. Nos protetorados, no entanto, a falta de consistência ideológica é a tradução da sua escravidão, ao ponto dos seus antigos reis terem uma posição privilegiada por sua `sabedoria`, mas engolidos pela ação do tempo porque suas mensagens não foram auto-sustentáveis na confrontação com a realidade.
O assunto é tão complexo que a França, que não é um país do Terceiro Mundo, está em busca de sua identidade, num mundo globalizado, retornando aos ideais da Revolução Francesa porque os franceses estão se sentindo oprimidos. Independente se o país irá eleger um homem conservador ou uma mulher socialista, a França está à beira de uma convulsão. Mas se a eleita não se curvar ao imperador, há a aceleração do processo. Nos bastidores, a Guerra nas Estrelas. Nitroglicerina pura na zona do euro. Mais do que choque de civilização, que expõe Oriente e Ocidente, veremos um choque de tempos. E os tempos estão diretamente ligados ao medo. Ao mesmo tempo que o homem busca a sua libertação, há o receio do desconhecido, levando a necessidade de proteção debaixo da asas dos impérios. O condicionamento com as normas impostas para enfrentar, `sem dor`, a luta da sobrevivência ao se defrontar com a natureza, `opositora` da `verdade`. O movimento na América Latina, não entendido por sua elite financeira, é o do fim da opressão. Mais do que `socialismo moreno`, o que a Venezuela quer é se livrar dos impérios, assim como a Bolívia, o Equador, a Argentina e a Nicarágua. Mesmo que o vôo possa ser raso.
Ideologia x idolatria
Diz o Aurélio: `Ideologia é a ciência de formação de idéias`. Modelo pesquisado pelo pensador Deslutt de Tracy que quis estudar a sua origem e o processo de formação deste conceito entre os homens. Mas o imperador francês Napoleão ficou encucado com o termo. No Conselho de Estado, acusou os ideólogos, os utópicos, como Tracy, de constituírem idéias desvinculadas da realidade. Por isso, é atribuída a Napoleão a seguinte frase: `Eu que quis copiar o Império Romano e instalar bases em todos os continentes, hoje vejo a importância de Jesus Cristo que censurou seu discípulo por ter cortado a orelha de um soldado romano e hoje governa todos os continentes`. O império de Napoleão também envelheceu e morreu, assim como o de César e seus traidores, e também de Hitler, que acreditava que os arianos, por serem raça pura, seriam vitoriosos. Viu o caminho da ruína, abalando a sua fé. Todos não foram auto-sustentáveis ao perder a visão da metamorfose ambulante. O tempo, o senhor da razão.
Marx entrou no tema. Segundo o filósofo alemão, a ideologia é uma forma de dominação que gera uma falsa representação da realidade, uma consciência ilusória que se produz através de mecanismos pelos quais se `objetificam` certas representações como sendo verdadeiras. Como bem escreveu o professor Wellington Trotta no jornal `Tribuna da Imprensa`, de 16 de abril deste ano reproduzindo Marx, `assim, as classes dominantes elaboram sua legitimidade, a partir de condições existentes numa determinada sociedade num dado período histórico, produzindo formas de alienação da consciência face ao real concreto`. A fábola do `Rei está Nu`. Só precisa um menino apontar o que é realidade que ninguém quer ver porque estão condicionados à chamada `ideologia`, mas que eu chamo de `idolatria`.
A crítica marxista quis desmoralizar a ideologia por `alimentar uma estrutura social profundamente desigual e não transparente`. Marx então diz que os verdadeiros problemas da humanidade não são as idéias errôneas, mas as contradições sociais reais não percebidas que forjam, conseqüentemente, as idéias equivocadas tidas como verdadeiras. O filósofo alemão, limitado ao seu tempo e espaço (século 19), concluiu que haveria de haver conscientização da classe trabalhadora da exploração do trabalho e que nos países industrializados nasceria o socialismo, `profetizando` que a vanguarda viria da Inglaterra. Na Era Digital, até agora isso parece não ser possível porque o povo anglo-saxão defende com unhas e dentes o direito individual, ou seja, um processo individualista como modelo de produção. O maior sonho de consumo é a expressão do seu império na figura de uma Família Real demonstrando a opulência do Reino Unido. Só há ameaça à esta estrutura quando os príncipes desejam `ser mortais`. Cai a idolatria da `divindade`. Ao mesmo tempo que há a idolatria, há a necessidade de libertação de opressores para o nascimento do Estado de Direito. Identificação e desidentificação. Este sentimento pode ser chamado de liberalismo, neoliberalismo, socialismo ou socialismo moreno. Maior expressão deste sentimento aconteceu na França durante a Revolução Francesa: `Liberdade, Igualdade e Fraternidade`. O que o mundo conheceu? O nascimento da República, como etapa de superação do absolutismo, mas também do terrorismo como símbolo de intolerância. Um movimento em nome da unidade, trazendo desunião entre mesmos cidadãos que lutaram junto contra as injustiças sociais: a monarquia absolutista. Um baque na utopia construída pelo coletivo. Sentimento parecido foi o movimento russo que terminou nas botas de Stálin. Sentimento parecido foi o da Revolução Cultural na China, a navalha na carne. Sentimento parecido foi o da Revolução Sandinista, um banho de sangue. O questionamento da ideologia como utopia porque o movimento padece de um mesmodeterminismo histórico: a morte. O resto é contexto. E relação de interesse.
`É de ouro`, diz o vendedor. `R$ 20, máximo`, diz o comprador. `Mas é de ouro`, argumenta o vendedor. `Não me interessa`, responde o comprador. `Por que?`, pergunta o vendedor. `Porque eu não gostei da sua cara`, responde o comprador. `Me desculpa a minha cara, mas não é ela que eu tou oferecendo. É a caneta`, finaliza o vendedor. Cena da obra-prima `O cheiro de ralo`, reproduzindo a relação humana de quem precisa e de quem tem.
Não resolvendo os problemas concretos, a realidade, o homem entra no plano abstrato, conformando-se com a ideologia reinante. Exemplo: quantas vezes você viu os norte-americanos com velas nas mãos chorando por causa de chacinas? Se antes era Bill Clinton, hoje é Bush e a amanhã será outro ator. Quantas vezes você escutou que os problemas eram causados pela venda indiscriminada de armas? Quantas vezes você escutou que a culpa era o video-game? Pois bem, amanhã você escutará a mesma coisa porque a aquisição de armas faz parte das garantias individuais dos estadunidenses prevista nos primeiros artigos da Constituição norte-americana, considerada modelo para o mundo. E a secretária de Estado dos EUA, Condoleeza Rice, disse há alguns meses: `Este país foi construído a partir das armas. Se meu pai não tivesse uma, nós (negros) não estaríamos vivos`. Então, as armas continuarão sendo vendidas, por pechinchas, na Wall Mart ou em qualquer pequeno estabelecimento dos EUA como `garantia individual` dos estadunidenses. Assim como o video-game de violência com seus estudiosos dizendo que o cérebro fica mais ágil. Por isso, o povo brasileiro é mais inteligente e não está indo nestes protestos pela paz promovidos pelos escribas. Eu, pelo menos, já vi muitas dessas manifestações, com participação, inclusive, do falecido Betinho. Todos de branco e soltando pombas da paz. Quando a panela de pressão apita, é a mesma palhaçada. De onde vem o cheiro?
A representação de Marx sobre a ilusão da realidade apresentada pelas classes dirigentes está presente nos dias de hoje. O Iraque não tinha armas de destruição em massa, assim como o presidente russo, Vladimir Putin, não é o `autoritário`. Boris Yelsin governou a Rússia com mão de ferro, como Putin, Ivã, o Terrível; Pedro, o Grande; Catarina, a Grande e Stálin. Se perguntarmos a um jovem russo se ele é livre, dirá que é mais livre do que foi o pai durante o governo Yeltsin. Assim que se perguntarmos no governo Yeltsin, um outro jovem dirá que é mais livre do que no Império Soviético, assim como se perguntássemos durante o regime comunista, o jovem diria que era mais livre do que no tempo dos Czares. Então, a Rússia está caminhando como todos os países de baixa formação de capital para a busca da identidade. E como podemos afirmar que é baixa formação de capital? Porque a desigualdade social na Rússia é gritante ao ponto de ter shopping com produtos de US$ 1 milhão para apenas uma pequena casta. O problema reside nos `interesses` que atrapalham a libertação do povo, levando-o a um possível retorno ao fechamento do governo se houver ruptura democrática. A ideologia, então, é a eterna busca do homem em dar forma à unidade através da formação das idéias. Para o valente, é a manipulação das idéias para dar uma forma mais próxima à sua visão sobre a unidade. Humanidade passa a ser mais do que natureza humana, para ser a ciência do humano como unidade corporal ainda não vivenciada.
`Ideologia, eu quero uma para viver`, cantou o profeta Cazuza, defensor dos anos 80 e do Terceiro Milênio, a mesma geração que não sabe qual é o limite.
Proteção x interesse
O filósofo escocês Adam Smith, limitado ao seu tempo e espaço (século 18), analisando a sociedade britânica, chegou a conclusão de que o homem não produz o pão nosso de cada dia por amor, mas pelo lucro. E que, mesmo com desprezo em relação ao próximo, há uma mão invisível chamado mercado que regula a economia em favor da sociedade, porque produz riqueza para as nações ao forçar o preço dos produtos para baixo até seus níveis `naturais`, que correspondem ao seu custo de produção. Para Smith, o homem não se desvincula de seu próprio `interesse`. O foco é que esta mão invisível converte `mal` em `bem` através da concorrência e da competição. No artigo II do Volume II do `Riqueza das Nações`, Smith chega a dizer que a escola pública será sempre pior do que a particular porque a educação deveria ter `rendimento suficiente para cobrir seus próprios gastos`. Dentro de sua observação sobre a universidade de Oxford, Smith descreveu como local onde os professores tinham seu salário garantido, mesmo sequer ministrasse aulas. `Quando o professor não é remunerado às custas do que pagam os alunos, o interesse dele é frontalmente oposto a seu dever, tanto quanto isto é possível` (...) `é negligenciar totalmente seu dever ou, se estiver sujeito a alguma autoridade que não lhe permitir isto, desempenhá-lo de uma forma tão descuidada e desleixada quanto essa autoridade permitir`. Smith entra, então, na questão do serviço público que ele acreditava que nunca seria eficiente. Para o filósofo escocês, a competição dos homens em defender os seus interesses pessoais provocaria, naturalmente, a riqueza das nações, assim como o Estado não deveria inibir este crescimento, concedendo `privilégios especiais` a grupos, que iriam impedir o sistema competitivo de exercer `seus efeitos benéficos`. Então, Smith tem convicção que o homem nunca se desprenderá de seu interesse pessoal em favor do coletivo e que, mesmo sendo `dolorido`, o capitalismo será o melhor sistema porque o homem só pensa em si e não no bem-comum, mas que o próprio movimento (dialético) transforma mal em bem. Muitos defensores dirão que o sistema capitalista desenvolveu a internet como o meio mais democrático de informação e conhecimento, o que não teria acontecido na União Soviética, quiça em Cuba. A garantia de liberdade de expressão para se chegar à `verdade`. Vamos perceber neste movimento o pilar da liberdade individual do homem. Podemos dizer do aparelho celular ou de eletroeletrônicos que caem de preço na competição intercapitalista, mas também que Marx estava certo sobre a lógica do homem recair apenas no lucro, o que se manifesta hoje no `Deus Mercado`. A ideologia de Smith criou uma escola de pensamento, a mais importante hoje chamada Escola de Chicago, pela qual foram guiadas as ditaduras militares, principalmente no Brasil e no Chile. O economista F.A. Hayek, autor do livro `O caminho da servidão`, diz que as sucessivas concessões a um maior `invervencionismo estatal`, que se foram gradualmente introduzindo nas democracias liberais, resultado da sedução exercida `por utopias coletivistas`, acabarão por reduzir os cidadãos a uma condição de `absoluta servidão`. Ele chega a afirmar que `à medida que são levantadas (sempre por motivos aparentemente nobres) as barreiras à ação do Estado e que as noções liberais de governo limitado, o homem caminha `inexoradamente` para o totalitarismo e para `a negação dos direitos e liberdades individuais`. Vamos perceber que, nesta escola de pensamento que atrai trabalhadores anglo-saxões, a servidão não está ligada ao grande capital, como na escola marxista, mas a uma estrutura de Estado forte, que suprimiria a `liberdade individual`, deixando os cidadãos como `servos do Estado` e não do `capital`.
Dentro da competição intercapitalista, que garante a `liberdade`, a elite norte-americana se considera a única `forte` para vencer neste sistema. E passa isso aos seus investidores ao garantir que os seus títulos serão sempre valiosos, mesmo que a economia passe pelas `crises sistêmicas`. Os analistas dizem que Alemanha e Japão completariam o trio. França e Itália estão de fora, o que as leva para o grupo dos `oprimidos`, com ideais de um outro `sistema mais solidário`, com visão `coletivista`, mas que, para os discípulos de Adam Smith, recairá, mais tarde, no `totalitarismo`. Por trás da discussão: a livre-iniciativa versus a proteção. A convicção dos liberais de que apenas num sistema de pressão pela sobrevivência, que geraria a livre-iniciativa, poderá haver riqueza das nações porque no regime de salários garantidos no fim de mês o trabalhador se transformaria num burocrata. Na visão dos estatistas, cada vez que se elimina a visão do lucro por causa do capital, haveria uma sociedade mais democrática porque o fruto do trabalho seria coletivo. Os tempos.
Dentro da divisão do mesmo tempo e espaço, haverá a divisão entre a `elite`, a `riqueza`, e `essa gente`, a `pobreza`. Na Era Digital, esta `diferença` estará mais presente por causa da compressão tempo-espaço. O mundo está em perigo porque o império, os Estados Unidos, já não esconde mais que considera os árabes, como `essa gente`, assim como os venezuelanos, bolivianos e brasileiros. No centro da questão: a Palestina. A partir do momento que chega à tona que Israel planejou invadir o Líbano antes do seqüestro dos soldados israelenses, e a garantia dos EUA de que estarão sempre com Israel, resultam na sensação dos árabes de que serão sempre considerados pela elite econômica como `essa gente`. Assim como Israel olha os palestinos, que vivem às `custas do Estado`. A proteção. Por isso, o ex-presidente Jimmy Carter foi crucificado recentemente quando comparou o conflito entre palestinos e israelenses ao `aparthaide`. Esse é o `X` da questão porque os árabes sentem que podem ser traídos, uma vez que os depósitos de armamentos de Israel nunca foram vistoriados pela ONU, apesar da promessa do império e dos israelenses de que não há interesse do Estado hebreu em expandir o seu território, mesmo que a história desminta. Por isso, o primeiro-ministro israelense se irritou quando percebeu que a Rússia não iria se omitir no conflito palestino-israelense e disparou: `foi uma facada nas costas`. Afinal, Israel diz com toda a razão que o seu sistema democrático é mais próximo ao do Ocidente do que os regimes centralizadores dos outros países do Oriente Médio, `essa gente`.
A `elite` não aceita `essa gente` que não forma capital interno, sobrevivendo às custas do Estado, que tem a propensão em ser `assistencialista`. Para a Escola de Chicago, proteção do Estado reproduz população de `medíocres`, apesar de deterem da matéria-prima estratégica, fonte de poder. Por isso, o Luiz Fernando Veríssimo, em artigo no `O Globo`, brincou há alguns meses com o etanol, mais ou menos questionando para que serve ser potência energética, se a elite brasileira se transformaria em `sheiks` do etanol e não reverteria os enormes recursos em novas tecnologias, preferindo erguer `estátuas de padre Cícero` para agradar a população ainda em `estado rude`. A mesma visão é transmitida pelo império ao restante do mundo, traduzindo que não adianta realocar o movimento econômico para `essa gente`. A `triste realidade` para essa elite mundial é que o dinheiro está indo para `essa gente`: Brasil, Rússia, Índia e China (Brics), detentoras de matérias-primas e de apetite de consumo. Quem viu a inquisição feita aos usineiros pela jornalista Miriam Leitão no programa `Espaço Aberto` entende o que eu estou falando. Detalhe: o real foi superlogiado na página mais lida por investidores alemães, o FAZ.net, do jornal `Frankfurter Allgemeiner`. Num artigo intitulado `A força do real é notável`, a página diz que `nos últimos anos, a moeda brasileira pertenceu ao grupo das mais fortes do mundo`. O buraco é mais embaixo.
Sonho e realidade
A realidade é que os jovens brasileiros estão mais distantes da ideologia como idolatria, preferem os sentidos à razão, devido ao desgaste aos conceitos, consideraram os comunistas piores dos que os capitalistas, querem mudança, mas não sabem como. Os grandes jornais idolatram a ideologia, mesmo que a seqüência dos fatos desminta o que dizem, acreditando que vivem no tempo ainda dos anciãos. Relacionamentos estão sendo mais valorizados e o insípido está sendo posto a escanteio ou como dizem: `a fila anda`. Mulher não quer abraço sem força energética, homens não querem dizer `eu te amo` para quem não valoriza por inteiro. A sociedade moderna procura por respostas mais condizentes com a realidade porque a força da alma está sendo mais forte dos que as aparências. Ninguém quer sonhar mais com a ficção. Acabaram os professores com suas doutrinas e todos estão caindo na real que são aprendizes de um projeto muito maior do que se pensava no tempo dos anciãos. O `Big Brother` (o Grande Irmão em inglês) será auto-sustentável ao longo do tempo?
Se medirmos o grau de estresse da sociedade moderna, veremos também o aumento do número de escravos que têm a vontade de se libertar de um sistema opressor, principalmente no ambiente de trabalho, mas que está preso à sobrevivência, com um salário para o pão nosso de cada dia. Há os escravos da obrigação que padronizam as pessoas e os sentimentos e não questionam o porquê da opressão diária por considerá-la `natural da condição humana`. E todos os escravos repetem: `É o sistema`. Ao mesmo tempo, todos estão se virando como podem e há um movimento `promíscuo` porque ninguém está conseguindo botar moral mais em ninguém. Resposta: `é o sistema`.
Resultado: uma mãe que não sabe se foi competitiva no dia anterior, toma remédio tarja preta para poder dormir e não ficar acordada achando que o mundo produz `estranhezas`. O filho, que fuma maconha, `para relaxar` do estresse do vestibular, diz que ela não tem moral para condená-lo. E ainda adverte que ela pode terminar como o rabino Henry Sobel ou o estilista Ronaldo Esper e ainda fazer uma `travessura`, transgredindo a norma por causa da droga. Filhos sendo pais, idosas, alcoolizadas, partindo para a `investida` e o mendigo, em imagem chapliniana, fazendo carícias em sua vira-lata numa intensa troca de afeto. O mundo contemporâneo. Se perguntarmos à mãe, ao garoto, aos agregados, à imprensa, às empresas, ao governo, à polícia, ao mendigo, todos dirão a mesma coisa: `É o sistema`. E dirão que a competição é um `mal necessário` para a `sobrevivência`. De onde vem o cheiro?
Abro parênteses e recordo de minha filha. Aos dez anos, me disse: `pai, se reencarnamos, por que não vivemos tudo numa vida só?` Respondi: `porque ainda não somos potência como Einstein provou, pela ciência, que um dia poderíamos ser`. Com esta nova geração, o tempo dos escravos será apenas uma questão relativa. Como dizem os jovens: `matrix revolution` ou `proibido proibir`. A nova expressão e a nova ordem. O fim da lei, o início do amor. No Terceiro Milênio, serão `superstars` Jesus Cristo, a escola de pensamento de Einsten e o Brasil, até com `teses para desacreditá-los`. Como ensinou o filósofo brasileiro Carlos Imperial: `falem de mim, mas falem`. A visibilidade. Concluindo: só há impérios porque há escravos da existência. Ou `se o sal for insípido para que o serve a não ser para ser pisado pelos homens`. Porque, na história, só ficam as obras que não são envelhecem, nem morrem. Verdades que superam tempo e espaço, que nós transgredimos no dia-a-dia.
`Preferi deixar de ser contratado da Globo quando percebi que me sentia um burocrata, não tinha mais brilho nos olhos. Pensei: se isso não está me fazendo bem, não vai fazer bem ao público. Não é justo pagarem para eu não trabalhar. Melhor fazer o que me dá tesão`, do águia Selton Melo, em entrevista à `Revista da TV`, do jornal `O Globo`.
JORNAL: Ultima Hora
DATA: 07 de maio de 2007
EDITORIA: Site
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MANCHETE: Comunidade São Benedito se prepara para festividades na Capital
REPÓRTER: Redação
Comunidade São Benedito se prepara para festividades na Capital
Comunidade São Benedito se prepara a festa tradicional. A data de abertura começa no dia 11 de maio às 19 horas e seguem até os dias 12,13,18,19 e 20, a festa terá a participação de vários grupos musicais.
Além dos grupos, a comunidade de afro-descendentes realizam novenas e no último dia acontece uma missa em comemoração ao dia.
A Fundac (Fundação Municipal de Cultura) esta promovendo a festa. A expectativa é que mais de cinco mil pessoas participem das comemorações durantes todas as noites.
JORNAL: Intellibusiness
DATA: 07 de maio de 2007
EDITORIA: Site
PÁGINA: Site
MANCHETE: Sementes da Discórdia
REPÓRTER: Antônio Tozzi
Sementes da Discórdia
Miami (USA) - Racismo por si só é um assunto delicado. Mas parece que algumas pessoas gostam de pôr ainda mais pimenta para aumentar o problema.
Depois das declarações totalmente despropositadas da sra. Matilde Ribeiro, da Secretaria de Política da Promoção da Igualdade Racial - uma das secretarias criadas pelo governo Lula para acomodar aliados às custas do erário público, porque não tem serventia alguma -, que disse ser normal um negro não querer conviver com o branco por terem seus antepassados sido açoitados, constata-se como o racismo é usado como bandeira de acordo com o que melhor convier para seu interlocutor.
Aqui nos Estados Unidos, dois episódios foram emblemáticos. No mês passado, o apresenador da MSNBC, Don Imus, fez um comentário desairoso sobre as jogadoras do time de basquetebol da Rutgers, uma universidade estadual de New Jersey. Imus, que comandava um show numa das mais assistidas emissoras a cabo dos EUA, chamou as meninas de "nappy-headed hos", algo assim como "putinhas de cabelo duro", e provocou uma enxurrada de protestos das comunidades negras e de seus simpatizantes.
A pressão dos manifestantes foi tão grande que até mesmo os anunciantes retiraram seus patrocínios, praticamente obrigando a emissora a demitir Don Imus por seu comportamento inadequado. Agora, o apresentador está brigando na justiça por seus direitos em razão de ter assinado contrato. Mas esta é outra história.
Embora tenha merecido o castigo, muita gente também criticou os próprios negros que criaram esta linguagem, sobretudo os astros do hip-hop, que cantam este tipo de coisa em suas canções, numa total falta de consideração para com as mulheres e com os próprios membros da comunidade negra.
A polêmica serviu, pelo menos, para despertar reações entre os próprios negros mais proeminentes. Desde o veterano humorista Bill Cosby, crítico ácido deste tipo de música, até Russell Simmons, o todo poderoso do rap e do hip-hop. Tanto que Simmons propôs aos rappers retirar de suas canções as palavras nigger, bitch e ho (negro e puta em dois sinônimos) por estar causando extremo desconforto entre os próprios ativistas da causa negra.
Na semana passada, em pleno calor dos playoffs da NBA - a maior liga de basquetebol do mundo -, o New York Times publicou uma pesquisa que dizia serem os árbitros brancos mais duros com os jogadores negros do que com os brancos. Para convalidar a tese, exibiram números coletados desde 1993 até os dias atuais.
A reação a esta pesquisa sofreu várias críticas. Merecidas, aliás. De David Stern, o principal dirigente da liga, aos próprios jogadores negros, passando pela imprensa esportiva, ninguém levou esta pesquisa a sério. Até porque os números são frios e não podem revelar intenções de jogadores.
Para quem não acompanha o basquetebol profissional americano, vale lembrar que cerca de 70% dos jogadores da liga são negros, enquanto 80% dos árbitros são brancos. Portanto, a relação é totalmente desigual.
Além disto, no começo da década passada, poucos jogadores brancos disputavam o campeonato porque os negros americanos predominavam. À medida que a NBA foi internacionalizando-se mais jogadores brancos foram admitidos na liga, sobretudo aqueles vindos da Europa. Do ponto de vista tático, os brancos são os principais anotadores e por isto menos sujeitos a cometerem faltas. Na verdade, pela posição em que jogam, normalmente são os que mais sofrem faltas. Em contrapartida, os negros são mais atléticos e disputam mais jogadas, arriscando-se a cometer faltas.
Traduzindo, isto nada tem a ver com a cor da pele do atleta. Só mesmo quem nunca acompanhou esporte pode preocupar-se com raça, etnia ou idade dos jogadores. Nos campos e nas quadras o que prevalece é sempre o talento. Como, aliás, deve ser em todos os campos da sociedade humana.
JORNAL: A Tarde On-line
DATA: 06 de maio de 2007
EDITORIA: Site
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MANCHETE: Seminário divulgará pesquisa sobre Terreiros de Candomblé
REPÓRTER: Redação
Seminário divulgará pesquisa sobre Terreiros de Candomblé
O Centro de Estudos Afro-Orientais da Universidade Federal da Bahia (Ceao) e a Secretaria Municipal da Reparação (Semur) divulgam em um seminário, na próxima terça-feira, (dia 8), às 18 horas, no salão nobre da reitoria da UFBa, os dados preliminares da Pesquisa de Mapeamento de Terreiros de Salvador.
Mais de 1.100 casas de Candomblé foram mapeadas em uma pesquisa concluída em abril passado. A intenção da pesquisa é conhecer mais a realidade dos terreiros, favorecendo a criação de políticas públicas para preservação das tradições culturais e religiosas e apoio a essas comunidades.
JORNAL: O Povo
DATA: 05 de maio de 2007
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MANCHETE: Com as bênçãos de Oxalá
REPÓRTER: Isabelle Câmara
Com as bênçãos de Oxalá
"Num vôo de pombas brancas, um corvo negro junta-lhe um acréscimo de beleza que a candura de um cisne não traria"
Giovanni Boccaccio
Quando ainda estava passando a novela Cobras e Lagartos, exibida pela TV Globo no horário das 19h, meu filho de seis anos viu uma cena na qual Foguinho, personagem de Lázaro Ramos, beija Bel, personagem de Mariana Ximenes. Na mesma hora, ele exprimiu um "eca!", com cara de nojo. Eu, tomada de susto, perguntei por que aquilo. Ele respondeu, do alto da sua ingenuidade, que "Bel era branca e Foguinho, negro. Então não podiam se beijar". E mais: "negro é fedorento". Eu, mais assustada ainda, perguntei onde ele tinha aprendido aquilo, visto que na nossa família somos o mais puro exemplo da mistura de raças no Brasil, com uma maior ascendência negra e indígena, e que sempre tratamos nossas origens com muita reverência - no mínimo. Ele disse que foi com os amigos da escola, para minha total estupefação. Passado o susto inicial, disse que ele também era negro, bastava olhar para as referências dentro de casa mesmo: bisavô materno, bisavó paterna, tios, tias etc. Devido àquele episódio, constatei que o preconceito racial, muitas vezes, começa na escola, pelo menos foi o que mostrou a pesquisa Relações Raciais na Escola: reproduções de Desigualdades em Nome da Igualdade, feito pelas pesquisadoras Mary Castro e Miriam Abramovay com o apoio da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) e que já foi tema dessa coluna, no último dia 04 de março. Dados do estudo dão conta de que a média de um aluno branco no 3º ano do Ensino Médio pode ser até 22,4 pontos mais alta de que um aluno negro, isso porque os apelidos preconceituosos e, muitas vezes, as agressões nas relações aluno/aluno e professor/aluno, prejudicam o seu desempenho, quando não são vistos como algo banal, até pela própria vítima, mas repercutem por toda vida.
No próximo dia 13 de maio, além das Mães, será comemorado o Dia Nacional de Luta Contra o Racismo, baseado no Dia da Abolição da Escravatura. Mas que libertação é essa? Pelo menos do ponto de vista escolar, muito há o que se conhecer, fazer e aprender, pois embora a Lei nº 10.639, aprovada em 2003, inclua a História da África e a cultura afro-brasileira como estudo obrigatório nas escolas de ensino fundamental e médio, públicas e particulares do País, pouco - ou quase nada - tem sido feito para minimizar a discriminação e promover a inserção do negro na sociedade de forma justa honesta e igualitária. Raras escolas se empenham em tratar as questões histórico-raciais de maneira respeitosa, levando para a criança o conhecimento das suas origens e da presença das várias raças em nossos costumes, tipos, crenças, saberes, memórias, tradições religiosas - muitos alunos pensam que axé é gíria baiana e confundem babalaô com balangandã. Hoje, meu filho estuda em outra escola, que cuida da nossa História, no sentido mais literal da palavra cuidar, inserindo em seus conteúdos as contribuições de todas as raças que formaram o povo brasileiro, e também da formação dos valores éticos e morais dos alunos. Mas é mais do que urgente que esta seja uma postura global: a de romper a barreira da resistência cultural, diminuindo a distância entre nós e o Continente Negro, pois ele está aqui.
LIÇÃO DE CASA
Selo Unicef
Já estão abertas as inscrições para edição 2008 do Selo UNICEF Município Aprovado no Semi-Árido. Prefeitos da região do Semi-Árido (Nordeste e parte do Espírito Santo) podem se inscrever até o dia 15. Para a edição de 2006, 183 municípios cearenses se inscreveram, mas apenas 60 foram aprovados, sendo 41 num primeiro momento e 19 num segundo, após uma rigorosa reavaliação dos indicadores sociais feita pelo escritório do UNICEF Fortaleza. Na reavaliação, foram contemplados os municípios de Alto Santo, Apuiarés, Assaré, Bela Cruz, Brejo Santo, Farias Brito, Ibiapina, Itaiçaba, Itapiúna, Itatira, Lavras da Mangabeira, Marco, Missão Velha, Nova Russas, Pacoti, Pedra Branca, Umirim, Trairi e Maranguape - estes dois últimos integrantes do Programa O POVO na Educação. Na primeira etapa, entre os 41 municípios agraciados com o Prêmio, estão os de Aquiraz, Guaiúba, Quixeramobim, São Gonçalo do Amarante e Horizonte, também integrantes do Programa. O Selo UNICEF avalia cerca de 30 indicadores sociais. Maiores informações: (85) 33065700 ou www.selounicef.org.br
JORNAL: Vermelho
DATA: 04 de maio de 2007
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MANCHETE: Unegro lança tese para debate ao seu 3º Congresso Nacional
REPÓRTER: Isabelle Câmara
Unegro lança tese para debate ao seu 3º Congresso Nacional
A União dos Negros Pela Igualdade (Unegro) lançou nesta sexta-feira (4) a tese guia ao seu 3º Congresso Nacional a se realizar de 14 a 17 de junho na cidade do Rio de Janeiro (RJ) no Hotel Presidente. Intitulada "Movimento Negro: um passo além da proposta", a tese trata de temas que abordam desde a situação política no mundo, América Latina e Brasil, até a relação do movimento negro com a luta das mulheres, jovens, religiões de matriz africana e comunidades tradicionais. Confira abaixo a íntegra da tese.
Movimento Negro: um passo além da proposta
"Trata-se, na realidade, de uma forma do apartheid à brasileira, contra a qual é urgente reagir se realmente desejamos integrar a sociedade brasileira de modo que, num futuro próximo, ser negro no Brasil seja, também, ser plenamente brasileiro no Brasil".
Milton Santos
"O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem-caráter, nem dos sem-ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons!"
Martin Luther King
Apresentação
Bem-vindos ao mundo das idéias defendidas pela Unegro. Este é o nosso caderno de tese que orientará o debate do 3º Congresso Nacional da Unegro, Movimento Negro: um passo além da proposta. Leia com atenção, com fome de conhecimento, com desejo de ampliar sua consciência sobre as concepções políticas que a nossa entidade defende para armar a militância para a ação cotidiana de combater o racismo. Quais as perspectivas que temos que trazer para o mundo do trabalho, para a luta em defesa dos direitos humanos da população negra, para o movimento de mulheres, para a juventude negra, para as religiões de matriz africana, para as comunidades tradicionais de quilombos, enfim, para o conjunto das principais frentes de vivência da nossa condição de negras e negros nessa sociedade.
Rebele-se contra o racismo é o lema da nossa organização, é o que acreditamos que cada negra, cada negro, cada pessoa que se diz decente deve fazer para tornar o Brasil um país sem racismo.
Raça, gênero e classe são conceitos que, para nós, caminham juntos, por isso defendemos um projeto de nação que supere a opressão racial, a opressão de gênero e a opressão capitalista. Um projeto de nação que deixe de ser bom apenas para alguns, mas que seja bom para todas as pessoas que formam o povo brasileiro.
Axé!
Roteiro
Temas Centrais
1- A construção do povo brasileiro e o desafio político da Igualdade na Diversidade.
2- O Papel das Políticas Universais e das Políticas de Ações Afirmativas na Superação do Racismo.
3- A Unegro no curso do Movimento Negro: balanços e perspectivas da ação política.
Temas dos grupos de trabalho
1 - Fortalecimento institucional e organizativo da Unegro.
2 - Participação da militância negra em espaços institucionais.
3 - Mulher negra e os instrumentos de articulação política nacional.
4- Religiões de matriz africana.
5 - Comunidades tradicionais.
6 - Juventude: desafios político e organizacional.
1) Princípios Gerais
a) A Unegro (União de Negros Pela Igualdade) em seu 3º Congresso Nacional, reafirma sua vocação de entidade do movimento negro que estabelece a luta política pelos direitos da população negra, reitera seus princípios e compromissos com a luta pela superação do racismo, do machismo e das desigualdades de classes sociais que marcam o sistema capitalista.
Afirma e desenvolve sua compreensão de que o racismo e o machismo são ferramentas de opressão que aprofundam as desigualdades sociais e cristalizam relações de dominação, principalmente na sociedade capitalista, resultando em exclusão de milhões de pessoas do acesso aos bens econômicos, sociais e culturais no Brasil e no mundo.
À luz dessa compreensão, a Unegro assume o desafio de articular a luta anti-racismo com a luta pela superação do capitalismo e da opressão de gênero. Compreendemos que os séculos de práticas racistas e machistas estruturaram subjetividades no pensamento humano que contribuem significativamente com a opressão, assim, podem sobreviver à queda da ordem atual se não for concomitantemente superadas.
b) A Unegro trabalha para a solidariedade e unidade do movimento negro e dos segmentos populares que sofrem outras formas de opressão, com o objetivo de acumular forças e de construir agendas que favoreçam à formação de uma nova sociedade, com justiça social e econômica, solidariedade entre todas raças, povos e etnias. Por isso, incentivamos a participação da população negra e de nossa militância nos partidos, sindicatos, associações populares, universidades, administrações públicas, etc.
c) A concepção política da Unegro é de uma entidade anti-racista, emancipacionista e classista, pois consideramos necessário articular a luta contra as opressões de raça, gênero e classe que dão sustentação ao padrão de acumulação de riquezas no Brasil desde o período da escravidão até o momento atual do capitalismo dependente, e que radicaliza a exclusão social nesta etapa neoliberal em que vive a sociedade.
O racismo, diferentemente do preconceito e da discriminação, tem aspecto estrutural e se define como um dos mecanismos sistêmicos que impedem a inserção sócio-econômica da população negra. Por isto, a luta pela equidade social é a nossa meta e ela passa, necessariamente, pelo avanço da cons